Bem vindos!

Conta-me histórias é um blog onde vos mostro alguns dos meus trabalhos e onde podemos falar de tudo um pouco. Apresenta certos assuntos que acho relevantes e interessantes, sempre aberta a conselhos da vossa parte no sentido de o melhorar. Obrigado pela vossa visita. Fico à espera de muitas mais.

quarta-feira, 20 de março de 2013

"Rezem por mim"



Que o mundo anda às avessas já toda a gente sabe. O mais estranho é constatar que os valores da humanidade estão completamente trocados. Não existe propriamente uma perda de valores, mas sim uma inversão de prioridades que saltam à vista do mais comum dos mortais. Tomemos como exemplo o Papa. O novo Papa apresenta-se ao mundo de uma forma simples, de critica pelo exemplo que provoca espanto e pasmo. Não consigo entender porquê. Posso estar muito enganada, mas até agora este homem apenas tem feito aquilo que a igreja prega há muito, sem nunca ter tido a coragem de colocar em prática. Se não, vejamos:
- Na primeira aparição do Papa, este dirigiu-se aos fieis com a saudação "Boa noite!".
Qual é o espanto? Demonstra boa educação.
- Assim que foi eleito, o Papa Francisco dirigiu-se ao local onde tinha pernoitado para pagar a conta.
Perdoem a minha ignorância, mas onde está  noticia? Teria por ventura sido mais lógico deixar a factura para a igreja pagar, com os donativos dos fieis?
- O Papa recusa o carro de luxo do Vaticano e desloca-se num carro comum.
Até que enfim! Está mais que na hora dos representantes da igreja deixarem os luxos e passarem a viver como os comuns mortais. Senhores Governantes, ponham os olhos neste exemplo de humildade.
-Francisco recusa o calçado vermelho, característico do posto máximo da igreja, para usar sapatos pretos. 
Além de um sinal de que está na moda ( o preto vai bem com qualquer fatiota), demonstra que acima de tudo preza o conforto, não dando grande importância ao politicamente correto.
-O Anel do Pescador, símbolo oficial do Papa, é de prata e não de ouro como o do seu antecessor. Francisco optou por um anel de prata dourada em vez do ouro maciço. 
Há quem diga que é por uma questão de humildade, há quem diga que a decisão passa por uma homenagem ao seu país natal (Em latim, prata é "argentum" e Argentina significa "terra da prata".)
- O Papa usa ao peito um crucifixo de ferro ao contrário de Bento XVI, que ostentava um de ouro. 
Esta é demasiado óbvia para ser comentada. O mais importante não deveria ser o peso ou valor de metal, mas sim o simbolismo do mesmo. 
Acredito que estes serão apenas alguns sinais óbvios de uma mudança profunda de consciência. Sou sincera quando digo que temo pela segurança do Papa Francisco. O ultimo homem que veio a este mundo pobre e pelos pobres, fracos e oprimidos, foi crucificado e morto da pior maneira aos olhos de todos e sem defesa. Será que veremos mais um homem ser torturado e extinto por revelar o unico caminho, o verdadeiro caminho? Ou será que finalmente o Homem evoluiu e vai defender com unhas e dentes quem lhe mostra a maneira mais simples de se redimir e de voltar a ser humano? Seriam vocês capazes de se despirem de preconceitos e de confortos para defenderem este ou outro homem que fala e age como Jesus falou e agiu? Será que finalmente somos merecedores desta nova prova viva de humildade, fraternidade e irmandade? Ou por outra, continuamos a meter a cabeça na areia e a aceitar que senhores no poder continuem a enriquecer às nossas custas, tirando-nos tudo o que levamos gerações a construir, só porque é "normal"?
Normal, meus amigos, é aquilo que este novo Papa nos tenta transmitir. Normal é ajudar o semelhante, normal é aliviar as dores dos nossos irmãos, normal é defender um mundo mais justo e unido, normal é não crucificar o bem só porque o mal é um hábito de há muitas décadas. Por isso, façam o que este Papa Francisco vos pede: rezem, rezem muito por ele, pois o seu caminho é árduo e traiçoeiro. Resta-nos ter muita fé para que leve a bom porto a missão que lhe foi dada. 

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Filhos: o coração fora do peito

O mundo está virado de pernas para o ar. Irmãos matam irmãos, filhos matam pais, pais matam filhos, netos violam avós, avós espancam netos. Este é o mal supremo de uma sociedade que está podre desde a raiz e que precisa desesperadamente de ser extinta, para que se plantem novos valores e medidas de resgate de alguma sanidade mental. Mas isto são casos que, longe de serem isolados como nos tentam fazer crer, são os mais fáceis de apontar e de fazer juízos de valor. Não é desses que quero falar agora. Mas sim daqueles que não se vêem a olho nu e que minam o que resta dos considerados "normais". O que dizer por exemplo daqueles pais que ceifam a vida dos filhos com uma simplicidade e rótulo de naturalidade que espanta até o mais tolerante dos humanos? Erros todos nós cometemos, mas usar os filhos como escudo dos nossos problemas e frustrações, não me parece de todo uma boa forma de educar, cuidar e ajudar. Existem pais que educam baseados na moral e bons costumes de antigamente: cuidam, mimam, criam mas sempre com o intuito de moeda de troca. A frase de eleição é sempre "faz o que eu digo e não o que eu faço", como se pudessem fazer tudo por serem adultos. Quem cresce com esta máxima, anseia por crescer e poder dizer e fazer o mesmo. Mas é aí, quando se cresce e se vê e sente com os próprios olhos, que nos apercebemos muitas vezes que tudo não passava de uma farsa. Afinal o que queriam dizer era: "eu sou apenas humano, erro como os demais, mas tu tens que ser diferente, tens que ser melhor para eu fazer boa figura, nem que seja como pai ou mãe." E, perguntam vocês, qual o mal de querer que os filhos se saiam melhor do que nós? 
Não há nenhum mal nisso, aliás, isso é ou deveria ser, o que se pretende. Mas o que normalmente acontece é que os filhos nunca optam por seguir a vida que os pais querem para eles. E do exemplo, apenas tiram o que lhes serve para sobreviver. O resto tem que ser vivido individualmente com todos os problemas e as más escolhas que isso acarreta. Ninguém é de ninguém e nenhum é igual ao outro. Todos têm que passar por isto ou aquilo, por mais que custe ou doa. Não adianta querer controlar o que vai ou não acontecer. Isso só vai trazer angustia, afastamento e mais problemas. Nem tão pouco se pode pensar, como em muitos casos acontece, que alimentamos, protegemos e demos tudo a um filho com vista em proveito próprio ou algum tipo de pagamento; seja ele monetário ou de afecto e cuidado. Os filhos não são nossos e o tempo e cuidado que lhes dispensamos não têm preço nem estão à venda. Os filhos veem com o intuito de nos fazer amar incondicionalmente, amar outro ser como ou mais do que a nós próprios, sabendo sempre que por mais dura que seja a realidade de vida de um filho, estaremos lá firmes como um rochedo, onde se poderá sempre abrigar e contar com um ombro amigo e fiel. Erros todos nós cometemos, mas nem todos têm a sorte de correr para debaixo da asa de uma mãe protectora que nos enxugue as lágrimas. E essas mães e pais que o fazem, independentemente do problema do filho, são pessoas que sabem o quanto um abraço ajuda mais que qualquer quantia monetária. São pessoas que passaram o suficiente na vida para saberem que nada pode romper os laços  quando eles são revestidos de amor e compreensão. Errar é humano, mas perdoar é divino.

Bibliografia: http://imagensdecoupage.blogspot.pt/2010/04/imagens-de-maes-e-filhos.html

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

A culpa é da Eva


Aqui há dias em conversa com uma amiga, tocámos no assunto das religiões. Disse-lhe que tinha muita dificuldade em inserir-me num grupo que obriga todos os seus membros a pensar da mesma maneira, sem direito a pôr em causa e a revelar uma opinião diferente. Conversa puxa conversa e dei por mim a ouvir algo que não faz de todo sentido para mim. Disse-me ela a certa altura, que as pessoas têm que ser tementes a Deus para que haja uma certa ordem. O meu dispositivo de erro, ecoou na minha cabeça de forma estridente. Como pode alguém viver em paz, temendo seja o que for? Visualizei de imediato um pai severo que castiga o filho a cada passo do caminho. Talvez devido à minha educação e à falta de necessidade que sempre houve de me castigarem, isto é algo que não me entra na cabeça. Não. O meu Deus não é um pai severo que impõe as suas regras e que nos atira aos crocodilos ao mínimo deslize. Por outro lado, acredito que pagamos por todos os nossos erros, mais tarde ou mais cedo.Mas não indo para o inferno ou sendo consumidos por chamas. Pagamos a factura com desilusões e sofrimento interior. A isso não dou o nome de castigo, mas sim de assumir responsabilidades. É talvez por isso que tenho tamanha dificuldade em entender as religiões. Posso até, como já o fiz, tentar perceber o que defendem e o que transmitem, mas assim que me tentam impor uma ideia ao invés de me explicarem de forma a que faça sentido na minha cabeça, desligo automaticamente. Esta é a real razão para que tanta gente se tenha afastado das igrejas. Partiram em busca de respostas que façam sentido. Agora, mais do que nunca, as pessoas precisam de quem as ouça, as ampare e as abrace acima de tudo. Não de discursos gastos com cheiro a mofo, que nos dizem que é assim, porque sim. Se temos medo de algo, não significa que temos respeito. No medo pode acontecer um de dois desfechos: ou fugimos ao controlo do medo em busca da liberdade, ou vivemos no medo por toda a vida apenas porque sim. Qual a lógica de vir ao mundo, seguir regras ditadas pelo Homem, que dizem ser em nome de Deus? Qual a verdade de pisar igrejas erguidas por Homens e chamar-lhes casas de Deus, sem nos importarmos com o faminto que estende o braço à porta do templo? Que Deus é este que pune o seu filho, apenas porque este decide viver de acordo com a sua maneira de estar? Que Homens são estes que comem, respiram, pecam como nós, mas porque envergam uma batina podem ter o perdão absoluto e automático, enquanto um chefe de família que rouba para dar comer aos seus, é visto como o pior dos criminosos? Não. Não aceito que tenho que estar dependente da imagem de um Deus castigador para que não cometa erros. Sem erros não fazia sentido passar por aqui. Para quê tanto sofrimento se ao escolhermos o caminho errado nos condenam ao inferno. Para quê lutar por um mundo melhor se basta ouvirmos um grupo de "entendidos" para podermos ser chamados de filhos de Deus. Se Ele nos criou à sua imagem, porque nos fez pecadores à nascença? Ah! Não, espera. éramos puros até a Eva ter trincado a maçã. Mas não teria ela vindo a este mundo com esse mesmo propósito? Onde estaríamos todos nós se a senhora não tivesse desafiado as "leis de Deus" e tal como uma criança traquina, não tivesse dado uma dentada na maçã? E já agora, se a mulher é um ser inferior e impuro, que vem ao mundo para procriar, porque raio não fez nada Adão? Não me digam que foi o ultimo banana da História. Que quem vestia calças lá em casa era a Eva? Estou, estou a brincar, pois só com muito humor se pode levar uma história destas. Sei que existe um poder acima de nós. Sei que esse poder a quem chamam Deus, "nos criou à sua imagem". Logo, de acordo com a crença da maioria, Deus também não será o cumulo da perfeição ou nunca teria gerado filhos impuros e imperfeitos. Somos perfeitos cada um à sua maneira e se existe alguma lição a tirar disto é que temos que aprender a viver com as diferenças e a respeitar a opinião do outro.


Bibliografia: http://jumento.blogspot.pt/2007/09/umas-no-cravo-e-outras-tantas-na_12.html

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Despe o fato


Mesmo que o que tenhas feito te tenha levado onde estás hoje, quero que saibas que podes sempre mudar o rumo da história. A primeira coisa a fazer não é, ao contrário do que nos fazem crer,  pedir perdão aos outros. Mesmo que isso seja o mais difícil para ti neste momento, a pior tarefa é perdoares a ti mesmo. Tens que tentar entender que o que fizeste, a decisão que tomaste, foi a mais acertada para ti a dada altura. Considera que o que se passou foi apenas uma parte de ti que fez algo injustificável aos olhos dos outros, mas que foi criado por um conjunto de situações, construído com as ferramentas de que dispunhas na altura. Esse, foste tu ontem. Hoje és alguém diferente. Hoje és alguém que pensa, age e vive de maneira diferente. Mesmo que olhes para trás e não sintas arrependimento, Mesmo que ainda hoje sintas que estavas certo, nem por isso és a mesma pessoa que foste no passado. És um ser em constante mudança. Mas então porque te sentes tão perdido? O que te faz remoer no que passou, insistindo na mesma tecla, revendo a cena uma e outra vez, procurando justificação para o que te aconteceu? Não vês que podes estar a pagar a factura das tuas acções, e ao mesmo tempo ires mudando o que aí vem? Para quê? Para não perpetuares essa maneira de estar e ver a vida, que te leva sempre ao mesmo lugar, numa espiral de revolta, problemas e  tristeza. Despe o fato que envergavas na altura em que tudo começou. Perdoa-te por teres tomado esse rumo e decide que queres fazer diferente. Claro que não podes mudar quem tu és. Isso não seria natural. Mas podes começar a agir para os outros do mesmo modo que gostavas que agissem contigo. Pode parecer difícil  principalmente com pessoas das quais não gostas. Mas esses serão sempre os melhores mestres que poderás ter. A partir do momento em que começas a agir assim, tudo à tua volta se altera como que por magia. Quem te rodeia não te reconhecerá e será como chegares a um local novo, rodeado por estranhos. No principio podes até ser alvo de desconfianças, mas quando tomares esta consciência,  nada disso te vai incomodar. Os que te amam vão estar mais presentes. Os que desconfiam das tuas intenções vão afastar-se e os que realmente reconhecerem a tua energia, vão ver-te com outros olhos e poderão até ajudar-te na caminhada. Por isso, despe o fato que tinhas e veste outro. O fato da pessoa que gostarias de ser e que no fundo sabes que és. Nunca é tarde para mudar de "roupa". E o roupeiro do Universo tem um sem fim de indumentárias pronto a ser usado. Lembra-te que as melhores roupas não são as mais bonitas, mas sim as que te fazem sentir mais confortável. As melhores cores não são as ultimas tendências de moda, mas sim as que te fazem sentir mais confiante. Os melhores sapatos não são os mais atraentes, mas os sapatos dos outros, as lições de vida que podes aprender ao colocares-te no lugar do outro e, a partir daí, escolheres o que faz mais sentido para ti. É por isso que em vez de criticarmos as atitudes alheias, devemos  colocar-mo-nos na pele dos outros. Visualizar o que seriamos nós capazes de fazer se algo parecido nos acontecesse. Sei que tens tempo, muito tempo para pensar em tudo isto. E mesmo que não queiras mudar tudo de uma vez, podes sempre colocar um adereço diferente de vez em quando. A guerra não se ganha de uma vez, mas sim em sucessivas batalhas.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

O que poderia ser, mas não foi



Somos pequenos demais para entender as voltas do destino. Somos prematuros quando sentimos que sabemos o que a vida nos reserva. Não. Nunca poderia imaginar que precisávamos de viver tanto para compreender o nosso amor. Não acreditaria se me dissessem que teria de passar tantos anos longe de ti para compreender a dimensão do nosso afecto. A nossa união só pode ter sido acordada num plano astral divino e incompreensível ao olhar humano.
Nunca, nem no meu sonho mais inacreditável entenderia que o nosso primeiro beijo me ligaria a ti desta forma. Tu andavas à deriva, procurando desesperadamente fugir a uma família que tudo te dava menos conforto emocional. Eu, recém órfã de pai, empurrada para uma vida que não queria e que me desamparava a cada passo do caminho. Dois ingredientes perfeitos para um cenário de paixão apenas possível de ser traduzido com gestos de ternura. Vivemos grandes aventuras, percorremos quilómetros fugindo a uma realidade apenas compreendida por nós. Aos olhos dos outros éramos loucos por sair do conforto do lar rumo a um futuro incerto e pouco promissor. Mas assim foi e em tempo de adolescência rumamos ao nosso paraíso sem medo do mundo. Sim, o amor e uma cabana. Sem mais nada para além do que sentíamos um pelo outro. Quis a vida forçar o destino a trazer-nos à realidade dos comuns mortais e tornar-nos ovelhas iguais às demais. Uma casinha, dois empregos, uma vida de consumismo e de correria. Os sonhos foram adiados, os projectos substituídos em nome da normalidade e do bem-estar. Não do nosso, mas do dos outros. Daqueles que diziam que a nossa relação não duraria três meses. Mas durou, durou até três anos. Altura em que eu me esforçava por te mostrar que era uma mulher exemplar e que tu me fazias ver que ainda era cedo para assentar e tornarmo-nos sérios e responsáveis.
Uma altura propícia para a tentação se instalar no nosso grupo de amizades, no nosso sofá e por fim na nossa cama. Foste o meu primeiro amor e aquele que me deu a provar pela primeira vez o gosto amargo da traição.
Sofri por todos os poros. Sofri do mesmo modo como te amava. Longa e profundamente. Confusa e perdida, só tinha duas opções para lidar com a situação: odiar-te ou amar-te de morte. Ensinaste-me a ver o mundo, ensinaste-me a voar alto, ensinaste-me a não ter medo de ser feliz, ensinaste-me a enfrentar o futuro que julgava não existir. Nunca me ensinaste a odiar-te. E nesse momento de dor profunda parecido com um luto sem corpo, fiz o que sabia fazer melhor. Amei-te ainda mais e abri mão de ti. Sabia, mesmo sem me aperceber, que apenas na liberdade existe o amor verdadeiro.
Ironia do destino ou vontade do Universo, a promessa de aventura que te fizeram foi uma fraude. E de repente, ali estavas tu a pensar na última vez que te tinhas sentido feliz, seguro, amado. Os meus olhos vieram-te à lembrança, o meu abraço fez-te falta, a minha boca ainda te beijava sempre que sonhavas. Eu tinha que voltar a ser tua. Mas será que ainda havia tempo? Tinhas que tentar. Tinhas que ter certeza de que o teu pecado tinha perdão.
Não havia nada a perdoar pois não tinha existido condenação. A dor da tua perda apenas me tinha deixado espaço no coração para um vazio impossível de preencher por outro. Só tu, apenas tu poderias ocupar o lugar vago da minha infelicidade.
E assim, como uma fénix que se ergue das cinzas, permiti que a vida fizesse sentido novamente e deixei-te regressar como se tivesses apenas saído por um breve momento. Sem represálias, sem perguntas, sem condições.
Mais três anos volvidos, foi a minha vez de querer ver o mundo para além dos teus braços. A nossa relação tinha-se tornado uma poça de água estagnada. A vida não podia ser só o que tínhamos. Iludida pensei que ainda não sabia tudo o que havia para saber em relação ao amor. Como estava enganada. Como fui cega em não perceber que o amor era assim mesmo: uma constante e frágil construção que não pode ser abalada por meras ilusões carnais ou por aventuras instantâneas.
Deixei-te, confesso, com um gosto mórbido de uma doce vingança adiada. Agora sim estávamos quites. Ou será que não? Ou será que foi tudo um adiar de sentimentos e da vida que poderia ter sido?
Apenas sei que nos doze anos que se passaram depois disso, a nossa vida passou a ser a vida de outros. O amor que sentíamos um pelo outro foi dividido por outros e multiplicou-se por outras vidas que desconhecem o sentimento que nos une, mas que mesmo assim fazem parte desse começo, desse primeiro beijo. Soube disso há um mês atrás quando atendi o telefone e ouvi a tua voz, passado tanto tempo. Sei disso hoje, quando me dizes “oi” através do Facebook. Saberei disso para sempre, quando tudo o que vivemos vem ao de cima sempre que penso em ti. Que nome se dá a uma união assim? Ao fim de tanto tempo, ainda sinto o teu cheiro, o teu toque, o teu sorriso ainda me apaixona.
É como se a tua imagem me elevasse ao mais alto patamar dos sentidos, abrindo-me a porta num regresso a casa adiado pelas malhas do destino.
Hoje, passados doze anos, encontro-me contigo longe de tudo o que nos fez quem somos agora, trocando fotografias dos nossos filhos. Os filhos que são nossos, mas dos outros. As memórias que trocamos são com outros seres que nos apanharam pelo caminho e do que restava fizeram novas famílias, novas vidas a que chamam suas. E as nossas? Onde estão as nossas vidas?
Percebemos entre risos nervosos que criamos os filhos dos outros e tivemos os nossos próprios filhos. Ela já tinha uma filha e ele também. Acolhemos os filhos dos outros como nossos e no caminho ainda fomos pai e mãe. Como foi semelhante a nossa história depois do adeus. Disse-te que nunca imaginei ver-te a criar um filho que não fosse teu. Respondeste que nunca conheci na realidade quem tu eras. Se calhar tinhas razão. Será que me conheceste a mim? Pensando bem, que interesse tem isso agora?
Não sei o que pensar deste nosso reencontro. Confesso que vim aqui sem querer, mas querendo. Bastou uma simples frase para mexeres de novo no meu mundo e desarrumares a sala dos meus sentimentos. “Estou em Lisboa.”
O meu tradutor emocional leu “Estou aqui. Bem perto e ainda penso em ti.” Será que me enganei? Será que agora que estamos ambos divorciados de uma vida que não era a nossa, sentimos falta do que parecia morto há tanto tempo? Será que a solidão nos toldou o juízo?
Seja o que for as horas estão a passar como minutos e cada vez é mais difícil sair de perto de ti. Pelo meio de conversa de conveniência, os nossos olhares cruzam-se como se tivéssemos medo de nos enfrentar. Ambos sabemos o que pode acontecer se nos fitarmos por muito tempo. Até que acontece o mais temido: acabou o assunto trivial e incómodo para dar lugar a um silêncio cheio de cumplicidade. Baixas a cabeça e suspiras fundo, como quem procura todo o oxigénio dentro do corpo para soltar um grito abafado pelo tempo. O meu coração acelera o ritmo, como se o botão de pânico tivesse sido activado. Levantas a cabeça e fixas os teus olhos nos meus. É essa a tua arma mais letal e tens consciência disso. Quantas vezes dei por mim perdida nesses olhos. Desta vez não foi excepção. Vejo que os anos não te fizeram perder o jeito de felino. Fascina-me o modo como imobilizas a preza apenas com um olhar. Sinto a cada batida do meu coração que podes atacar a cada momento.
“Senti muito a tua falta.”
O meu silêncio incomoda. Tento parecer distante, mas na verdade estou petrificada. Já fazia algum tempo que não ouvia algo tão simples e ao mesmo tempo tão forte. E agora? Devo retribuir? Devo fugir? Devo simplesmente entregar-me ao desejo de me sentir desejada, ao fim de tanto tempo? De repente sou outra vez menina assustada e frágil, louca de desejo pelo meu primeiro amor.
As minhas dúvidas, os meus medos, tudo se dissipou como fumo ao vento no momento em que a sua mão tocou a minha. Sim, tudo fazia sentido. Aquele era sem dúvida o amor que eu tinha posto em espera durante todos estes anos. Aquele foi o amor do qual eu me privei, acreditando que tinha feito as melhores escolhas.
“Também senti a tua falta. Mais do que pensava.”
“O que fazemos agora?”
A vida ensina constantemente que existem gestos que dispensam qualquer palavra. Nada mais havia a fazer se não beijá-lo e acreditar que tinha realmente regressado a casa. Ainda hoje me surpreendo com a energia que é gerada por um beijo. Senti-a percorrer o meu corpo de um extremo ao outro. Regressei àquela rua onde o tinha beijado pela primeira vez numa noite fria de Outubro. Confirmei que não foi o frio que me fez vibrar dessa vez. Tal como não era agora. Era a energia pura e certeira do cupido. A mão de Deus a abençoar uma relação que foi combinada nos céus. O reencontro de duas almas gémeas que se amavam num plano incompreensível ao comum mortal.
Que se dane o mundo, que se dane o politicamente correcto e o que os outros entendem como normal. O racional não era chamado para o momento. A mente era agora um empecilho de que a alma precisava urgentemente de se libertar. Aqui, no agora, apenas há espaço para os nossos corpos nus e famintos de afecto. A saudade deu lugar a um banquete de pecados. Nada pode contra o amor que sentimos um pelo outro. Nem a distância física, nem a temporal nos privou de nos reencontrarmos. O que aconteceu até ao mais comovente dos poetas deixou sem palavras. Foi amor do mais puro que Deus criou.
“Só volto para a vida se a vida for ao teu lado. Caso contrário fico aqui para sempre deitado, abraçado a ti. Não tens noção das vezes que sonhei com este reencontro. Não podes imaginar o esforço que tive de fazer para não largar tudo e vir a correr à tua procura.”
“Não valia de nada. Agora entendo que ambos precisávamos de espaço e tempo para crescer. Não há nada que eu queira mais neste momento do que ficar ao teu lado, mas…”
“Mas…”
“Mas, achas que conseguimos mesmo voltar ao que éramos?”
“Não. Acho que depois de tudo o que passamos, vamos conseguir muito mais.”

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

O fim do mundo... em cuecas!


O grande tema da actualidade mudou da crise para o fim do mundo. Segundo a crença de muitos, estas serão as últimas palavras que escrevo. Contando que o mundo acaba dia 21 de Dezembro de 2012, tenho pouco mais de uma hora para editar esta postagem. Isto se o fim do mundo se iniciar em Portugal. Parece que ainda nada se passa do outro lado do mundo. As noticias ainda não fazem referência a nenhuma catástrofe. Coisa que, pensando bem, seria impossível. Pois se o mundo acabou do lado oposto ao nosso, não há maneira de avisar este lado. Tudo isto se torna mais ridículo a cada noticia ou comentário sobre o assunto. Prevejo que pelo andar da carruagem ainda acabamos todos a rir até às lágrimas com tanta estupidez. Senão, vejamos:
"Países apressam preparativos para o "fim do mundo": Este é o titulo que encontrei num site que explica a confusão instalada pela polémica. Ora se o fim do mundo se aproxima a passos largos, não vejo relevância em fazer qualquer preparativo. Será que o fim do mundo terá honras de Estado? Ou será que é como o Carnaval, com direito a samba e a gigantones? Que raio de preparativos se poderão fazer para a extinção da raça humana?
Com a aproximação da data, muitas pessoas em países como Índia, Austrália e China, entre outros, começaram a se preparar para o pior, arrumando suprimentos e abrigos. Outros preferem organizar cerimónias e até grandes festas para ter uma última noite de diversão antes do Apocalipse: Uma ultima noite de diversão até entendo, mas esconder-se num abrigo com toneladas de alimentos, parece-me estúpido. Alôôôô! É o fim! Ninguém mais vai ter sede, fome, frio ou calor.
Entre os que lucram com a data, estão empresas de turismo do México, Belize, Guatemala, Honduras e El Salvador, que vendem pacotes e promoções com o lema "O Fim do Mundo Como Conhecemos": Estes não acreditam no fim do mundo. São movidos pela ganância. Os que acreditam e compram os tais pacotes, vão realmente assistir de camarote ao fim do mundo como o conhecem, mas será só quando virem as contas dos cartões de crédito a aumentar e tiverem de empenhar os anéis, os dedos e tudo o resto. Aí sim, vai ser o fim do mundo...em cuecas!
Nos antigos sítios arqueológicos da civilização maia, a sexta-feira será um dia de muitos rituais, conferências e espectáculos: Visto que cada dia tem 24 horas e ninguém lá na civilização maia se lembrou de marcar a hora do evento, espero que tenham tempo para tantos espectáculos, conferências e rituais. Será que o fim do mundo vai assistir a tudo isto até ao fim e só depois vai acontecer? Sim, porque isto de organizar estas coisas é muito dispendioso. Seria uma pena se no final a estrela da festa não comparecesse. Já estou a imaginar a Lili Caneças a comentar: "Foi de uma falta de chá imperdoável! Depois de tanto trabalho, faltar ao evento mais importante do ano. Isto não é nada elegante. Já não se fazem fins do mundo como no meu tempo." Ao que o Castelo Branco respondia: "Cala-te, bicha! Que eu não aluguei esta porchete da Prada para isto acabar assim da noite pró dia."
No vilarejo de Bugarach, na França, a montanha do local teve seu acesso fechado. Existe uma crença de que, quando o calendário maia se encerrar nesta sexta-feira, a montanha vai se abrir, alienígenas vão aparecer e os humanos que estiverem por perto poderão ser levados por uma nave espacial. Prevendo o aumento do movimento na cidade de cerca de 200 habitantes, centenas de policiais foram enviados para reforçar a segurança. Os moradores receberam passes especiais para transitar pelo vilarejo: Isto é discriminação. Então os cabrões dos ET's só têm espaço para levar quem estiver por perto? Entre moradores e a policia, safam-se umas centenas. E os outros, pá? Bem, pensando melhor, aqui em Portugal tem sido pior. Nem a policia é poupada ao fim do subsidio de férias, natal e outros fins que agora não me ocorrem.
Na Rússia, um abrigo a 56 metros de profundidade, o Bunker 42, está promovendo uma festa que deve durar dois dias. O local tem espaço para 300 pessoas, mas o preço do ingresso é caro: + ou - mil euros por pessoa: Mais uma discriminação. A discoteca do momento só serve os afortunados de berço. E que história é essa de uma festa de dois dias? Então mas isto dura mais de um dia?
Na Turquia, no vilarejo de Sirìnche, os moradores estão promovendo um novo vinho local, que traz o número 2012 no rótulo. É um vinho tinto e seco com teor alcoólico mais alto, feito especialmente para esta sexta-feira: Esta até é compreensivel. Ao menos assim não se sente nada. O risco de ressaca é inexistente e ninguém fica para contar se é bom ou não.
A polícia na China prendeu membros de um culto apocalíptico acusado de espalhar boatos sobre o fim do mundo. Segundo a imprensa estatal do país, quase mil integrantes do grupo cristão Deus Todo Poderoso foram presos. A seita prevê que, a partir desta sexta-feira, vão ocorrer três dias de escuridão e pediu que seus membros derrubem o governo comunista chinês: Bem, deve ser porque os comunistas chineses vêem mal no escuro. Por cá é mais verem coisas que não existem, como igualdade para todos, trabalho para todos, melhores condições de vida para todos...
Um agricultor da província de Hebei, Liu Qiyan, não apenas acredita, como construiu sete esferas de fibra de vidro, com capacidade para receber 14 pessoas cada uma. O agricultor afirma que elas também poderão boiar em caso de inundação e estão equipadas com tanques de oxigénio e suprimentos. "Se realmente acontecer algum tipo de Apocalipse, então você pode dizer que fiz uma contribuição para a sobrevivência da humanidade", disse Liu: Errado! Se realmente existir algum tipo de Apocalipse, conseguirá colocar 98 pessoas a boiar no Universo, respirando por palhinhas e comendo enlatados. Não sei se não será melhor o fim do mundo. Imaginem que esses enlatados são de feijoada à transmontana. Se não morrem do mal, morrem da cura. Além disso, alguém devia informar o senhor de que isto não se trata de um diluvio, mas sim de bolas de fogo. De que serve boiar?

Bem, seja como for, espero que seja rápido. E tal como dizia o saudosissimo António Feio, "não deixem nada por dizer, nem nada por fazer". Mesmo que nada façam, ao menos lembrem-se de dizer amo-te aos que mais lhes são queridos. Não acredito no fim do mundo, mas acredito que no dia da partida, será a única coisa que levamos connosco: a imagem e o sentimento que temos por quem amamos. Acredito sim, que a raça humana está a chegar a um patamar de evolução que separa o trigo do joio, derrubando as barreiras da comunicação e mostrando-nos da maneira mais dolorosa o que realmente importa. A fonte é e será sempre a mesma. O fim, esse, será o que nós escolhermos para nós próprios.





























quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Natal com mais brilho

Passei por aqui rápidamente apenas para vos deixar várias sugestões deliciosas para este Natal. Todas estas peças artesanais e muitas mais podem ser encontradas na loja de uma amiga, no Cacém. Aqui deixo o contacto e imagens para que possam apreciar estes trabalhos lindissimos.











Ariz Medium


Cacém, na Rua Elias Garcia n.º 175 C

Tel: 968617683 - 912019630

Facebook: http://www.facebook.com/home.php#!/galeriadeariz.medium













































































































































Cacém, na Rua Elias Garcia n.º 175 C