Bem vindos!

Conta-me histórias é um blog onde vos mostro alguns dos meus trabalhos e onde podemos falar de tudo um pouco. Apresenta certos assuntos que acho relevantes e interessantes, sempre aberta a conselhos da vossa parte no sentido de o melhorar. Obrigado pela vossa visita. Fico à espera de muitas mais.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Apanham-se as "mulas", fogem as "hienas"


A vida por vezes mostra-nos o caminho da pior maneira possível. Foi o que aconteceu a Sara Norte e acontece  a tantos outros jovens por esse mundo fora. O que nos leva a pensar que tudo o que parece fácil, nem sempre é a melhor rota a seguir para vingarmos no mundo. Tudo o que sei sobre a Sara é o que leio ou vejo na comunicação social. E há muito que entendo que esta não é a via mais certa e a história mais bem contada. No fundo toda a capa de revista ou jornal que venda, vale bem mais do que o que existe por trás da noticia. Mas pegando nas palavras que julgo serem as proferidas por Sara Norte, o que a levou a enveredar pelo mundo da droga foi o dinheiro fácil. Não lhe faço julgamentos a ela nem a qualquer jovem que entre numa destas confusões. Quando uma viagem de Marrocos a Portugal se pode traduzir em 1000 euros, tudo parece fácil ao focarmos a nossa intenção em adquirir 30000 euros. Se nos focarmos apenas na quantia a ganhar, os riscos parecem mínimos. Mas não são. Além dos problemas de saúde, de desafiar a própria morte, há o factor assustador de ser apanhado, como foi o caso dela e como é o caso de muitas pessoas que se envolvem nestes esquemas. Acreditando como acredito que a partir de agora a sua vida vai mudar para bem melhor, fico feliz por saber que a vida, além de lhe ter dado uma grande lição, ainda lhe concedeu a oportunidade de recomeçar. Embora nada apague o sofrimento que teve que ultrapassar, a Sara tornou-se numa pessoa com uma história importante para contar a outros jovens que estejam a pensar seguir-lhe os passos. Com essa história é possível alertar as futuras gerações dos perigos e das armadilhas que se escondem por detrás do mundo da droga. Com esta história, a sua responsabilidade é acrescida, pois ela é agora a prova viva de que o crime não compensa. Pena é que estas "mulas", como são chamadas, sejam as primeiras a sofrer na carne. Depois desta história com um final feliz, resta perguntar, onde estão estas pessoas que levam os nossos jovens a cometer tais crimes? O que fazer para combater esta gentinha que alicia qualquer um que esteja disposto a ganhar um dinheiro extra, pondo em risco as suas próprias vidas? Vocês podem alegar que ela não o fez obrigada, mas nem isso sabemos ao certo. O que gostaria de ver era esses senhores da droga num banco dos réus e posteriormente, atrás das grades. Mas. infelizmente, enquanto se vão apanhando as "mulas", fogem as "hienas". "Hienas" essas que vão dizimando aos poucos uma civilização inteira. A ti Sara, apenas desejo as maiores felicidades, muita força e que ajudes outros a encontrar um caminho melhor. E não te esqueças de que és uma pessoa especial, pois a vida não dá muitas segundas oportunidades.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

O milagre de ser mãe

Embora o tempo teime em mostrar o contrário, estamos no verão, época de férias, praia e santos populares.  Hoje, dia 13 de Junho, dia de Sto. António e feriado de Lisboa, fui assistir às marchas da escola da minha filha. A má organização do evento e a timidez do público que mais parecia estar num velório, contrastou com o bom trabalho das educadoras e auxiliares. Os fatos estavam muito bonitos e dentro dos possíveis os miúdos estavam bem ensaiados. Trabalho um pouco inglório, se atendermos ao facto de tanto trabalho se ter resumido a uns dez minutos de actuação de cada grupo, debaixo de um sol intenso. Mas não é sobre isto que pretendo falar. Pois existe algo comum a muitos de nós que sempre achei melodramático e excessivo até ter sido mãe. Imaginem que estão numa feira e o vosso filho está a andar num carrossel e cada vez que passa perto de vocês, acenam como se o puto fosse partir de viagem.  Sabem quando avistam os vossos filhos, no meio de um grupo de miúdos que dança, canta, faz teatro ou simplesmente sobe a um palco, e vos teima em cair pelo rosto uma lágrima de orgulho e comoção?Pois, eu sempre que assistia a isto nos outros pais dava por mim a abanar a cabeça como se aquilo fosse a coisa mais ridícula de sempre. Mas já diz o ditado: "não mandes pedras ao telhado do vizinho" . Hoje foi a minha vez de fazer esta triste figura. E o mais engraçado é que não me importei por um segundo se alguém estava a ver de longe e a abanar a cabeça em sinal de gozo. A minha filha, a minha pequena princesa estava ali, linda e luminosa marchando ao lado dos coleguinhas. Estava ali a menina que mais amo para que todos pudessem ver e admirar. Tentei até agora descrever o que me leva a chorar de emoção nestas situações, visto que com o irmão mais velho tive alguns destes episódios. É um misto de admiração com orgulho. É como se nem pudesse acreditar que aquele ser tivesse vindo de mim. Por mais  insignificantes que as suas prestações sejam, esta pequena lágrima está sempre presente. Ridículo ou não, pude confirmar que não era a única a sentir o mesmo. Foram muitas as mães que disfarçaram as lágrimas ao verem os seus pequeninos a marchar pela avenida. Feitas as contas, estes momentos são os mais importantes. No meio de tanta luta para os criar, de tanta dificuldade que a vida nos traz, de tanta falta de tempo para lhes mostrar que estamos presentes, são estes momentos que nos mostram que pelo menos uma vez na vida fizemos o melhor do mundo: os nossos filhos. Estes momentos, servem para nos iluminar a alma e são uma lufada de ar fresco que nos permite arrepiar caminho e sentir que fizemos algo verdadeiramente mágico: demos vida a um outro ser que tem na mão a chave para um futuro melhor. Na maior das provações, pensem e revivam estes breves momentos e verão que tudo valeu, vale e valerá sempre a pena por estes seres maravilhosos que nos deram de presente a maior das lições. Ser pai ou mãe, é a maior das bênçãos. Usemos isso em todos os momentos: os bons e os menos bons, para gerarmos força e enfrentar tudo o que estiver para vir. 

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Sai um fino e uma sandes de alforreca!


Não há muito tempo atrás, a ONU veio fazer uma proposta que é no mínimo bizarra: introduzir  insectos na alimentação com o objectivo de fazer frente à fome. Mas os senhores da Organização das Nações Unidas não se ficaram por aqui e propõem agora que se inclua nas ementas a alforreca. Isso mesmo, a alforreca, esse animal translucido e gelatinoso que flutua nos mares.
 Tendo como slogan a frase: "Se não podes lutar contra elas... come-as", os especialistas da ONU lembram os ocidentais que este animal é já uma iguaria comum em países como a China. (Como se isso nos servisse de consolo).
Acredito que uma pessoa com fome submete-se à maior das loucuras para se saciar, mas custa-me a crer que com tanta tecnologia ao dispor da humanidade sejamos sugestionados a modificar tão drasticamente a nossa alimentação. Num mundo que tanto tem criticado aqueles que se dizem vegetarianos, o que responder a estes iluminados que defendem, em vez de um mundo unido e produtivo no que diz respeito a criar condições dignas de consumo a todos os seres humanos, comer larvas e gafanhotos, com umas entradazinhas de alforreca? Compreendo que o alimento escasseia em alguns pontos do globo. Mas será que se deve às condições do próprio mundo em mudança ou à ganância de alguns que se apropriam de tudo o que gera lucro fácil, deixando-nos apenas os insectos e as ditas alforrecas? Seja como for, espero que a tão comentada crise não me obrigue a tal dieta. Se não concordam, dêem uma olhadela na ementa que se segue e digam-me se vos abre ou não o apetite.



Pratos do dia


  - Alforreca à lagareiro
  - Gafanhotos de escabeche
  - Larvas à minhota
  - Baratas  au champignon. 

Sobremesas


 - semi-frio de tarântula 
 - pudim de caracoleta
 - minhocas com chantilly 

BOM APETITE!


segunda-feira, 20 de maio de 2013

Os Teus braços

Quero perder-me no meio do nada
Voar na direcção do vazio
Saltar do mais alto penhasco
Com rumo ao desconhecido
Quero sentir-me parte do vento
Viajar nas suas asas
Envolta em duvidas sadias da certeza
Certeza de um mundo melhor
Mundo desconhecido recheado de oportunidades
De viagens cheias de vida
De vidas cheias de cheiros, sabores e texturas
Coisas nunca vistas ou experimentadas
Quero envolver-me no mistério
Abrir o peito ao que o Universo me promete
Saber que o chão é areia dourada
Onde enterro os pés qual árvore frondosa
Estendendo os meus ramos até aos céus
Quero ficar aqui e ao mesmo tempo
Ser levada pelo mar da fantasia
Onde sei que Me esperas de braços abertos
Sem medo, sem a carga do passado
Cheia de presente e cega perante o futuro
Quero tudo aqui
Quero tudo agora
E no fim, apenas mais um infinito
Que me leve de regresso aos Teus braços

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Doença do século XXI

Durante muito tempo se disse que a doença do século XXI era o cancro. Mas raramente alguém fala de uma doença com séculos de existência e que se tem vindo a perpetuar ao longo de milénios. Não sei bem que nome lhe dar, mas sei que é uma enfermidade que atinge a maioria das pessoas e que, embora pareça inofensiva,  mata. Falo da ausência do olhar. Este síndrome que muitos consideram distracção ou timidez, muitas vezes é uma doença que se propaga e de onde derivam muitas complicações. Existem muitos motivos para as pessoas deixarem de olhar os outros nos olhos. Falo especificamente do desalento que nos leva a deixar de procurar nos outros um sinal de vida. Por vezes estamos com a cabeça tão cheia que o nosso horizonte começa a focar-se na biqueira dos sapatos. Perdemos o sentido de orientação e deixamos de nos importar com o que nos rodeia. Quando esta reacção é momentânea, não faz muita moça, mas quando se começa a tornar um hábito, vira doença. Uma doença silenciosa que nos torna naquilo que não somos: meros robots que se arrastam diariamente à espera de uma outra vida que parece afastar-se cada vez mais.  Esse distanciamento, esse alheamento do mundo, cria camadas e camadas de coisas mal resolvidas que ficam em stand-by esperando uma oportunidade para se libertar. Depois da falta de foco do olhar, vem a falta do toque. Este sintoma associado, rodeia a pessoa ainda mais, entrelaçando-a numa corrente imaginária que destrói qualquer tipo de aproximação. Qualquer toque, seja ele físico ou emocional, é entendido como um atentado, como uma violação de espaço. Baixar as armas é o mesmo que se expor, que se despir na frente de uma multidão. Olhar realmente para outro semelhante pode abrir portas para um lugar desconhecido e incomodo. Mas será que é assim tão mau? Será que entregar-mo-nos e saltarmos para o abismo de sermos nós próprios pode ser algo tão tenebroso assim? Não seria melhor deixar-mo-nos ir e sermos apenas o que somos: almas errantes que caminham lado a lado e que precisam uns dos outros como de pão prá boca?
Não há médico ou remédio que cure esta doença. Apenas uma coisa a pode fazer evaporar-se como que por magia: o amor.
Decidi escrever esta mensagem, porque algo me aconteceu. Também tenho tido o meu quê de falta de horizontes e sem dar conta fechei-me dentro de um concha bem ornamentada que, pensava eu, não deixava que os outros me vissem como realmente sou. EU: com todos os meus defeitos, qualidades, dores, revoltas. Apanhada desprevenida, como todos os que se acham o maior dos trapaceiros, recebi um abraço acompanhado de um olhar que me leu a alma, de uma forma que muito poucos conseguiram fazer. Desarmada, entrei em pânico. Literalmente comecei a ventilar e a tentar a todo o custo fugir da situação. A máscara teimava em se manter firme, mas podendo enganar todo o mundo, enganar-me a mim é impossível. Não, não foi paixão. Não, não foi sexo. Foi tão somente um ser humano como eu que não se deixou iludir por uma máscara, por mais poderosa que fosse.


quarta-feira, 1 de maio de 2013

Aqui e agora


Onde?
Como?
O porquê não importa, sente o momento
O amanhã está lá longe, o tempo parou
Tudo gira à nossa volta em câmara lenta esperando por novos episódios
Novas cenas de uma novela sem guião
Principio de coisa nenhuma que queima a alma e desperta os sentidos mais primitivos
Arrepio na espinha à muito dobrada pelo peso do mundo
Esquece tudo o que conheces, pois o mundo é dos ignorantes
Vem relembrar o que não conheces
Vem apagar o fogo da falta que te faço
Extravasa toda a energia acumulada nessa amalgama de culpa e remorso
Dá-te, ainda que sem compromisso
Eu estou aqui, viva e latente
Esperando que me reconheças debaixo da tua pele
Pois dois somos um e o que sentes é gémeo dos meus sentidos
Por isso vem, sem demora ou desculpas
Tu, tu apenas
Entrega-te inteiro ainda que partido em pedaços
Dá-me o que puderes, sem julgamento ou critica
Da minha parte, sabe que do pouco que te dou
Me entrego inteira

quarta-feira, 20 de março de 2013

"Rezem por mim"



Que o mundo anda às avessas já toda a gente sabe. O mais estranho é constatar que os valores da humanidade estão completamente trocados. Não existe propriamente uma perda de valores, mas sim uma inversão de prioridades que saltam à vista do mais comum dos mortais. Tomemos como exemplo o Papa. O novo Papa apresenta-se ao mundo de uma forma simples, de critica pelo exemplo que provoca espanto e pasmo. Não consigo entender porquê. Posso estar muito enganada, mas até agora este homem apenas tem feito aquilo que a igreja prega há muito, sem nunca ter tido a coragem de colocar em prática. Se não, vejamos:
- Na primeira aparição do Papa, este dirigiu-se aos fieis com a saudação "Boa noite!".
Qual é o espanto? Demonstra boa educação.
- Assim que foi eleito, o Papa Francisco dirigiu-se ao local onde tinha pernoitado para pagar a conta.
Perdoem a minha ignorância, mas onde está  noticia? Teria por ventura sido mais lógico deixar a factura para a igreja pagar, com os donativos dos fieis?
- O Papa recusa o carro de luxo do Vaticano e desloca-se num carro comum.
Até que enfim! Está mais que na hora dos representantes da igreja deixarem os luxos e passarem a viver como os comuns mortais. Senhores Governantes, ponham os olhos neste exemplo de humildade.
-Francisco recusa o calçado vermelho, característico do posto máximo da igreja, para usar sapatos pretos. 
Além de um sinal de que está na moda ( o preto vai bem com qualquer fatiota), demonstra que acima de tudo preza o conforto, não dando grande importância ao politicamente correto.
-O Anel do Pescador, símbolo oficial do Papa, é de prata e não de ouro como o do seu antecessor. Francisco optou por um anel de prata dourada em vez do ouro maciço. 
Há quem diga que é por uma questão de humildade, há quem diga que a decisão passa por uma homenagem ao seu país natal (Em latim, prata é "argentum" e Argentina significa "terra da prata".)
- O Papa usa ao peito um crucifixo de ferro ao contrário de Bento XVI, que ostentava um de ouro. 
Esta é demasiado óbvia para ser comentada. O mais importante não deveria ser o peso ou valor de metal, mas sim o simbolismo do mesmo. 
Acredito que estes serão apenas alguns sinais óbvios de uma mudança profunda de consciência. Sou sincera quando digo que temo pela segurança do Papa Francisco. O ultimo homem que veio a este mundo pobre e pelos pobres, fracos e oprimidos, foi crucificado e morto da pior maneira aos olhos de todos e sem defesa. Será que veremos mais um homem ser torturado e extinto por revelar o unico caminho, o verdadeiro caminho? Ou será que finalmente o Homem evoluiu e vai defender com unhas e dentes quem lhe mostra a maneira mais simples de se redimir e de voltar a ser humano? Seriam vocês capazes de se despirem de preconceitos e de confortos para defenderem este ou outro homem que fala e age como Jesus falou e agiu? Será que finalmente somos merecedores desta nova prova viva de humildade, fraternidade e irmandade? Ou por outra, continuamos a meter a cabeça na areia e a aceitar que senhores no poder continuem a enriquecer às nossas custas, tirando-nos tudo o que levamos gerações a construir, só porque é "normal"?
Normal, meus amigos, é aquilo que este novo Papa nos tenta transmitir. Normal é ajudar o semelhante, normal é aliviar as dores dos nossos irmãos, normal é defender um mundo mais justo e unido, normal é não crucificar o bem só porque o mal é um hábito de há muitas décadas. Por isso, façam o que este Papa Francisco vos pede: rezem, rezem muito por ele, pois o seu caminho é árduo e traiçoeiro. Resta-nos ter muita fé para que leve a bom porto a missão que lhe foi dada.