Bem vindos!

Conta-me histórias é um blog onde vos mostro alguns dos meus trabalhos e onde podemos falar de tudo um pouco. Apresenta certos assuntos que acho relevantes e interessantes, sempre aberta a conselhos da vossa parte no sentido de o melhorar. Obrigado pela vossa visita. Fico à espera de muitas mais.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Kiwi, o mulherengo do pomar

O kiwi é um fruto oriundo da China, mas já se vê muitas plantações deste fruto cá em Portugal. Conhecido como portador de uma alta quantidade de vitamina C, o kiwi nasce de uma planta trepadeira dióica. Não, dióica não é um palavrão nem um erro ortográfica. Dióico significa que é uma planta de flores masculinas e femininas em indivíduos diferentes. Isto é, existem nesta espécie plantas totalmente femininas e plantas totalmente masculinas, o que significa que têm que ser plantadas em conjunto para assim se reproduzirem. E aqui começa o curioso da questão; é que descobri que o kiwi é bígamo. Ou no caso dos kiwis que não contraíram matrimónio, é um mulherengo de primeira apanha. Se não, vejamos: dizem os entendidos que um pomar de kiwis deve ter um mínimo de 9 plantas, onde 8 serão femininas e a restante masculina. Dizem também que a planta masculina deve ser plantada no meio das outras, servindo assim de polinizadora. Outra curiosidade é o facto de a planta masculina dar flor fornecendo o polén  e a planta feminina dar flor fornecendo os frutos.  Esta planta pode durar cerca de 50 anos e é muito produtiva, podendo gerar 1000 frutos por planta. O kiwi é extremamente benéfico para a nossa saúde; não tem colesterol, tem propriedades anti oxidantes que previnem o envelhecimento das células e a formação de rugas na pele,  reduz o risco de tumores, tem efeitos anti-cancerígenas e anti-inflamatórios, reduz o risco de doenças artériocoronarias e fortalece o sistema imunitário. Os primeiros frutos desta planta ocorrerão no terceiro ano de vida.
 Dito isto, se o kiwi fosse um homem seria um felizardo. Primeiro teria uma vida sexual extremamente activa e sempre rodeado de pelo menos oito mulheres. Depois, não precisava de trabalhar quase nada, visto que carrega com florzinhas com polén enquanto a mulher carrega com os filhos. Nem tinha que se dar a muito trabalho sexual, pois a polinização é feita elas abelhinhas e outros insectos. Em seguida, um homem com esta vida, também não precisava de durar muito mais que 50 anos, visto que deixava uma família de 1000 descendentes. Nunca teria problemas de saúde durante a sua vida, com tanta vitamina, sem colesterol e, obviamente sem stress. Na perspectiva feminina, a única coisa relevante é o facto de gozarem de 3 anos sem filhos, mas com muita saúde e tempo livre para a gozar, pois o seu companheiro teria que dividir o tempo com outras 7 mulheres. 

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Nem só de pão vive o homem

Todos os dias passava pelo átrio daquela igreja e via à porta, sentado nos degraus um homem de meia idade, barba e cabelo comprido, roupa gasta e suja, evidenciando a sua condição de sem abrigo. Muitas vezes dei por mim a pensar o que teria levado aquele homem, como tantos outros, a chegar aquela situação. Onde estaria a sua família? Será que tinha família? E se a tinha, que conjunto de situações poderiam ter levado aquele homem a viver na rua, dependente das esmolas alheias e sujeito aos maus tratos duma sociedade que condena pessoas que não têm vidas ditas normais? Passei por ele vezes sem conta e sempre que o fazia, sem saber porquê tinha vontade de o abordar. De pelo menos lhe perguntar o seu nome, de saber se existia algo que eu pudesse fazer para o ajudar. Não como uma "caridadezinha" que me abriria as portas do céu, mas sim como um ser humano que reparou no sofrimento de outro, não podendo manter-se indiferente a tal. Estávamos em Janeiro, num dia que era já noticia nos jornais como o dia mais frio do ano. Mais uma vez, ao regressar do trabalho, encontrei o homem, como sempre, sentado nas escadas da igreja, esfregando as mãos cheias de nada, esperando por coisa nenhuma. Dessa vez, perdi a vergonha e o medo de ser mal interpretada e dirigi-me a ele. Sem saber muito bem como o abordar, perguntei-lhe se gostaria de me acompanhar à pastelaria em frente, a fim de comer alguma coisa. Disse-me que gostaria muito, mas que não lhe era permitido entrar na pastelaria, sob pena de ser corrido, devido ao seu aspecto. Reparei que, por de trás da barba e cabelo compridos se escondiam uns enormes olhos azuis, que teimavam em fixar o chão sem me encarar. A vergonha era um traço visível na sua expressão. Mas mesmo no estado mal tratado em que se encontrava, conseguia perceber que era um rosto bonito. Disse-lhe que voltaria e caminhei para a pastelaria. Quando regressei para junto do homem com o saco que continha sopa, sandes e sumo, fui recebida com espanto, como se o facto de eu voltar e ainda por cima com uma refeição para si, fosse uma coisa impossível de acontecer. Ao pegar no saco, olhou-me nos olhos pela primeira vez e chorou. Disse - "Muito obrigado! Não acredito que se tenha dado a todo este trabalho por minha causa. " Perguntei-lhe como se chamava. Respondeu que se chamava Rogério. Depois,...bem... depois foi quando aconteceu o que ainda hoje não consigo explicar. Senti-me subitamente invadida por uma necessidade enorme de abraçar aquele desconhecido. Fiquei emocionada com o facto do meu acto, sendo tão pequeno e banal, o mínimo que alguém faria, pudesse ter tido um impacto tão grande em Rogério. Sim, abracei-o, um desconhecido que precisava desesperadamente de um abraço, que estava sujo e rendido ao seu triste destino.  E sabem que mais, senti naquele momento que ganhei mais do que aquilo que dei. Não sei explicar porquê, mas foi com esse sentimento e com algumas palavras de conforto que deixei Rogério. Quando penso neste episódio, pergunto onde estará ele neste momento? Será que fez tanta diferença para ele como fez para mim aquele abraço? Será que por breves momentos, fomos apenas dois seres iguais, sem preconceitos, apenas unidos pela necessidade de dar e receber carinho e compreensão? Seja como for, para mim foi com certeza uma das experiências mais marcantes da minha vida. Foi nesse momento que o provérbio "nem só de pão vive o homem" fez sentido para mim.

sábado, 28 de agosto de 2010

Pobre não tem férias, apenas muda de sitio


Há já algum tempo que não escrevo no blog porque estive de férias no norte do país. Se é que se podem chamar férias àquilo que passei nos últimos dias. Embora sair de Lisboa, rumo a um destino cheio de espaços verdes e de ar puro seja agradável, acabamos por não deixar a rotina de lado, só podendo defenir como férias o facto de viajarmos para longe da agitação da capital. Se não, vejamos: um casal com filhos, com idades compreendidas entre os 10 meses  e os dez anos, viajam para uma casa de família na terra. O primeiro dilema é meter a bagagem toda no carro, (onde viajarão 5 pessoas, dois adultos e três crianças). A mala do carro não é grande, e a viagem tem muitas vezes que ser feita de pernas abertas, para caber mais um saco à frente. Pelo caminho, os mais novos, cantam, choram, gritam e passado 30 minutos de caminho, começa a famosa canção do "falta muito para chegarmos?" A vontade e pressa de chegar é tanta, que o condutor não põe sequer a hipótese de parar pelo caminho, uma vez que seja. O rádio vai ligado, mas com os vidros abertos, não se ouve mais do que um ruído de fundo. Em contrapartida, a ausência de ar condicionado, não nos permite fechar os vidros, sob pena de sufocarmos de calor. Após 3 horas de viagem que mais pareciam 3 dias e depois de 452 "falta muito para chegarmos?", finalmente podemos esticar as pernas. É como aprender a andar de novo. De seguida, colocar toda a tralha em casa e começar a pensar no almoço. Para começar em beleza, vamos almoçar fora. Depois, fazemos as compras, a fim de cozinhar em casa as próximas refeições. E já está; começa a rotina das férias. Embora sem horários rígidos a cumprir, e entre passeios e festas de verão, temos sempre que fazer almoço, jantar, lavar, estender e passar roupa, lavar louça, enfim, o mesmo que fazemos o resto do ano, mas com uma vista impressionante de montes e vales em vez da imagem da vizinha da frente em cuecas ou do vizinho do lado a fumar um cigarro à janela. Para ajudar à festa, a televisão com antena interior, apenas apanha 3 canais, o que com a óptima programação da televisão portuguesa, nos remete e ver a Júlia Pinheiro ou o Figueiras à tarde, as novelas à noite e com um pouco de sorte e falta de sono, um filme que já vimos 300 vezes, lá prás 2 da manhã. Das noticias nem vale a pena falar; vai desde os incêndios, aos acidentes de viação, a menores violados, sem deixar de poder referir a famosa e sempre na moda crise do país.  No meio de tudo isto, ainda temos tempo para dar em doidos com os miúdos, que passam a vida a engalfinharem-se uns nos outros ou a juntarem-se para fazer disparates. E assim passam 15 dias de "descanso". Não sem antes metermos tudo no carro outra vez, com a nítida sensação que levamos mais coisas do que as que trouxemos, sem saber muito bem onde encaixar tanta tralha, viajar por mais 3 horas e descarregar tudo outra vez para casa. E depois de toda esta canseira a quem alguém chamou de férias, chego à conclusão que pobre não tem férias, apenas muda de sitio. Como seria bom ter dinheiro para passar uns dias num hotel, com pensão completa. Enquanto esse dia não chega, vamos-nos dando por felizes por termos feito uma viagem sem problemas, por termos filhos saudáveis e por termos comida sobre a mesa. E que isto se mantenha por muitos e longos anos.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Um bem haja a todos vós


Olá a todos. É com muito agrado e satisfação que tenho vindo a constatar as novas aderências ao meu blog. Folgo em saber que além do povo português, também o brasileiro se identifica com a minha escrita. É bom demais saber que no outro lado do mundo existem pessoas a falar a mesma língua que eu e que ainda por cima, gostam do que mais prazer me dá fazer na vida: a escrita. Não sou pessoa de palavras caras, o textos em que tenho de consultar o dicionário de 5 em 5 minutos, não são para mim. Da minha limitada escolaridade, tento traduzir simplesmente o que me vai na alma, sem floreados, indo directo à questão, como se de uma conversa normal convosco se tratasse. Um muito obrigado a todos os que visitam o meu blog. Os vossos comentários são sempre bem vindos, mesmo que sejam para criticar algo com o que não concordam. Só desta maneira consigo evoluir e criar de um modo mais amplo e justo.  Se por acaso tiverem alguma sugestão, no sentido de melhorar este blog, por favor, não exitem em dizer. Agradeço a vossa divulgação ao meu trabalho e como não poderia deixar de referir, procurem pelos meus livros em www.euedito.com . O ultimo trabalho, O princípio de um fim qualquer, está à venda no site da editora. Em mensagens mais antigas, podem ver um pequeno resumo da obra, bem como algo sobre os meus dois livros para crianças. Sem querer parecer a nossa saudosa Amália Rodrigues, aqui deixo mais um muito obrigado a todos vós e um abraço amigo.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Quando a alma é maior que o corpo


Ninguém consegue ficar indiferente quando alguém como António Feio parte, deixando para trás uma imagem de coragem de quem, antes da partida não se deu nunca por vencido, rindo da doença que o consumia. Isto faz-nos olhar para dentro de nós e perguntar mais uma vez, qual o sentido da vida, se depois de tanta luta somos derrubados. Mas será que é assim, ou esta é a maneira limitada com que encaramos uma perda desta natureza? Hoje, ao pensar um pouco em tudo isto, cheguei à conclusão de que existem pessoas que têm uma alma que não cabe no corpo. Lembro-me saudosamente do nosso querido Raul Solnado que se despediu carinhosamente de todos nós antes da sua partida, com saudades e com tristeza por, como disse "ir contrariado". O seu discurso era de alguém que tem saudades do futuro. Isto parecia-me confuso até ao dia em que numa viagem que fiz e ao observar a paisagem que me rodeava, dei por mim a pensar que no dia em que eu partisse, teria muitas saudades deste lugar chamado Terra. É certo que não sei para onde irá a minha alma, nem tão pouco se voltarei aqui, apenas sei que o sentimento de saudade que se apoderou de mim foi tão forte como se já tivesse partido. Por isso digo que são saudades do futuro. Podem chamar-me louca ou criticar a minha maneira de pensar, mas tenho em mim que o que nos faz sentir bem é com certeza o caminho certo. Por isso, até alguém me explicar o sentido de uma vida como a de António, que lutou com unhas e dentes, que mais parecia que se preocupava em nos aliviar a dor do seu próprio sofrimento, do que com a sua condição física, até esse dia, prefiro pensar que fez o que precisava de ser feito aqui e continuará a fazê-lo num outro sitio. Que seja eternamente lembrado como mais um dos marcos deste país, que faça com que os senhores ministros comecem a dar mais valor a pessoas que dedicam a sua vida a entrar em nossas casas, não para fazer promessas e para falar da crise, mas sim para nos fazer sentir um pouco mais felizes. Por mais lamentações que hajam depois do desaparecimento destas personagens, muito ainda tem que ser aprendido no sentido de mostrar ao mundo a qualidade dos nossos actores, escritores, e artistas em geral. Que deixem de passar um chorrilho de telenovelas seguidas até às 2 da manhã e passem a mostrar o nosso teatro, o nosso cinema. Programas legitimamente portugueses, com artistas tão queridos de todos nós, muitos no desemprego, largados no esquecimento. Não esperem por uma doença fatal, não esperem por uma morte, não esperem por mais nada. Deixem-se de "conversas da treta" e dêem a Portugal o novo Parque Mayer. Deixem os artistas fazerem o que melhor sabem, deixem que mostrem ao mundo o que Portugal tem de melhor. Isto é o mínimo que podem fazer por pessoas como António Feio e tantos outros, que dedicaram as suas vidas a este povo.

(imagem retirada da internet)

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Olho por olho e a humanidade ficará cega



O mundo está louco. Ou melhor, o ser humano está demente. Todos os dias e cada vez mais nos deparamos com noticias de pais que matam os próprios filhos, de filhos que matam os pais, de vizinhos que se matam por um jogo de futebol, de pessoas que matam por "amor", de pessoas que matam por raiva e desespero. Até parece que é fácil tirar a vida a um semelhante. Não precisa de haver um motivo sólido e concreto. Apenas a vontade de matar, por esta ou aquela razão. Parece que o pensamento não consegue alcançar a razão ou até mesmo o acto de tirar a vida ao outro. As pessoas agem cada vez mais sem pensar e quando pensam, fazem-no fixados numa obsessão que apenas parece ter solução com o desaparecimento físico do outro.Tal como disse Ghandi, "Olho por olho e a humanidade ficará cega".  As consequências, essas não vêm ao caso. Em Portugal, não serão assim tão graves como isso, ficando muito àquem do sofrimento das vitimas e familiares. Apesar de fecharmos os olhos e pensarmos que só acontece aos outros, isto não é verdade. Ninguém está livre de atravessar o caminho de uma pessoa destabilizada emocionalmente e de passar por uma situação idêntica. Continuo a pensar que para combater este problema, temos que começar de raiz. Temos de começar pelos mais novos. Temos, como pais, professores, e todos os envolvidos a deixar de virar as costas ao problema e de tentar criar adultos fortes e de mente sã. Claro que isto é quase um otupia nos dias que correm. Eu por exemplo conheço uma pessoa que atravessou uma fase de divórcio e começou a ter problemas com a educação do filho. O miúdo revoltou-se com a situação, começou a tirar más notas, a arranjar brigas com os colegas e por fim a maltratar verbalmente a professora. Preocupada a minha amiga foi falar com a psicóloga da escola, a fim de receber ajuda para lidar com a situação. Esteve com ela mais de duas horas a contar a vida toda do rapaz. A psicóloga disse que iria falar com o miúdo e que depois entrava em contacto. Já passou um ano, o ano lectivo está quase a começar de novo e nada de noticias. A não ser a de que a psicóloga entrou de baixa de parto e não foi substituída. Claro que o ideal seria a minha amiga pagar um psicólogo do bolso dela, mas como não é possível, lá vai fazendo o que pode, entre horários de trabalho sobrecarregados e sem fins de semana livres para passar algum tempo de qualidade com o filho, na tentativa de "não lhe faltar nada". Um psicólogo não faz milagres, mas em muitos casos, poderia ser uma grande ajuda na prevenção de casos que muitas vezes acabam mal. As crianças são cada vez mais deixadas à sua sorte. E como se não bastasse, temos a eterna contradição: dizemos-lhes para se defenderem, mas não os ensinamos a protegerem-se. Queremos que cresçam confiantes e destemidos, mas dizemos-lhes (no intuito de os proteger) que existem pessoas muito más que raptam os meninos e lhes fazem mal. Lembro-me que quando se deu o tão falado caso da Maddie Macken, o meu filho, na altura com 6 anos, me ter perguntado se eu era capaz de o matar. Fiquei escandalizada com a pergunta, mas por aqui se pode ver até onde vai a mente de uma criança, que por uma simples noticia na televisão, vê o seu mundo ameaçado pela pessoa que lhe deu a vida. O futuro está nas crianças, mas somos nós os responsáveis pelo futuro que iremos ter.

sábado, 24 de julho de 2010

JAMPAIAS - Um paraíso no Alentejo

Aqui há uns anos atrás, visitei um sitio que mudou a minha vida. Decidi fazer um retiro espiritual com uns amigos e o local escolhido foi a Herdade João Pais de Cima (Jampaias) situada no Alentejo. Parti nesta aventura ao desconhecido, visto não fazer a mínima ideia do que seria um retiro espiritual. Pensei tratar-se de um sitio onde desfrutaríamos de paz, tranquilidade e muito sossego. Não estava enganada, foi exactamente o que encontramos, mas deu muito trabalho. Contradição, dirão vocês. Mas foi assim mesmo. Chegamos já de noite e com alguma fome. Qual não foi o meu espanto, quando me deparei com comida totalmente vegetariana. "Vou rapar uma fome!", pensei eu. Enganei-me. Pratos muito bem confeccionados, com alto valor energético e muito saborosos. Tudo produzido com produtos biologicamente criados na Herdade. Aliás, na Herdade tudo é natural. Na entrada deparamos-nos logo com grandes painéis solares que geram a energia necessária para aquecimento de água e da casa e para termos luz. Por esse motivo, só alguns felizardos puderam tomar banho com água quente. Depois de jantar, fomos informados que ali todos tinham que trabalhar. Deste modo, dividimos-nos por grupos e cada um à vez tomou conta da cozinha a fim de lavar a loiça das refeições. Também teríamos que fazer as nossas próprias camas de manhã ao levantar. Nada que não fizéssemos em nossas casas e até foi uma boa experiência, pois muitos de nós não se conheciam e isso ajudou a quebrar barreiras nas apresentações. Fizemos muita meditação, reiki, yoga, shiatsu e mais algumas terapias que já não me recordo. Uma das coisas mais engraçadas que me aconteceram ao fazer meditação, foi dar pelo som de alguém a ressonar. O engraçado disto, é que a pessoa que ressonava era eu, mas o relaxamento era tanto que me ouvi nitidamente, julgando tratar-se de outra pessoa. Por isso disse no inicio que nos fartámos de trabalhar para sentir paz e sossego. Na primeira noite que lá dormimos, fomos informados de que seriamos acordados no dia seguinte às 7 horas da manhã, pelo som de uma taça Tibetana. Pensei automaticamente que só acordaria se me dessem com ela na cabeça, mas mais uma vez estava enganada. Fiquei bem longe da porta do quarto, mas assim que o som soou, despertei como se tivesse ouvido o Big Ben.
Lembro-me que ouve um dia em que depois da meditação e da caminhada que se seguiu, o pessoal tinha tanta fome que já não podia andar mais. Ao chegar à sala de refeição, deparámos-nos com uma mesa recheada de iguarias e no centro uma grande travessa de pasteis de bacalhau. "Pasteis de bacalhau? Mas a comida não é toda vegetariana?" Pois é, mais uma vez fomos deliciosamente enganados. Os pasteis que pareciam e cheiravam a pasteis de bacalhau, eram pura e simplesmente pasteis de batata. Uma delicia que era difícil parar de comer. Aprendi muitas coisas nas Jampaias, e até trouxe de lá um truque para fazer a sopa ficar com um sabor totalmente diferente e muito mais apetitosa. Correndo o risco de divulgar um segredo culinário, deixo aqui uma maneira diferente de fazer uma simples sopa, mas que muda totalmente o seu sabor. Experimentem, em vez de cozer os legumes em água e depois triturá-los, refoga-los apenas num pouco de azeite e em seguida, cobri-los com água a ferver, deixando a sopa acabar de cozinhar. No final triturem então os legumes e, depois de apagar o lume, polvilhem com ervas aromáticas. Fica uma verdadeira delicia.
 Existe também uma pequena sala com artesanato com coisinhas simplesmente deslumbrantes e que fizeram as delicias de quem quis umas lembranças para levar para casa.  Aconselho vivamente a visitarem este espaço, de conforto e com um ambiente familiar acolhedor. Tive pena de ser apenas um fim de semana. No final já todos parecíamos amigos de longa data e não apetecia sair de lá. Ficam as recordações de pessoas espectaculares, de um sitio tão perto de nós, mas que parece de outro mundo e de um céu  deslumbrantemente estrelado em noites de convívio. Então? Do que é que estão à espera? Juntem um grupinho animado e partam para um sitio inesquecivel. Está tudo muito bem explicado no site da Herdade, não terão dificuldade em lá chegar.


Telemóvel: 917 326 567
Morada: Apartado 3387-7630-347 Foros dos Vales (Colos)