Todos nós temos um gatilho que pode ser premido das mais diversas maneiras. Uns têm-no mais à flor da pele do que outros. Mas de um modo geral existe sempre algo que nos faz descer dos saltos, nos faz perder as estribeiras. A maioria das pessoas que me conhecem dizem que tenho sempre resposta pronta. Mas já fui bem pior. Passei do "prefiro perder um amigo, a uma boa resposta" para um medidor de energia que me permite discernir se vale a pena perder tempo com certas coisas ou pessoas. Durante muito tempo pensei que o que me fazia explodir era a estupidez alheia, a falta de civismo, o preconceito. Mas hoje constatei que existe algo bem mais profundo que me leva a enfrentar um gigante de três metro, sem medo de ficar sem cabeça: a maldade pura. Quando uma pessoa se usa de todos os meios para te atingir como humilhar, chamar nomes, enxovalhar, nada disso se compara ao encontro olhos nos olhos de um outro ser humano que se usa do que tu mais amas para te atingir. Quando amas alguém mais do que a tua própria existência e o outro se esconde atrás desse amor e manipula no sentido de te atingir, isso é maldade nua e crua. Talvez o nome seja pessoa sem escrúpulos, mas do meu ponto de vista, isso não chega para o classificar. Vai daí, desci dos tamancos e parti para a ignorância. Eu que sou apologista do diálogo e nunca da violência, eu que tento mostrar aos meus filhos que pessoas destas apenas merecem a nossa piedade, pois não sabem fazer diferente, parti para a ignorância, deitei por terra os meus princípios e tudo na frente de quem mais amo. Se estou arrependida? Não. Se estou correcta? Não. Se me sinto melhor? Também não, pois depois de tanto tempo a tentar evoluir como ser humano, pareceu-me que voltei à estaca zero e sinto-me como uma mulher das cavernas. Sem contar que não resolvi nada. Apenas deixei um sorriso nos lábios do agressor, que tem a cartilha bem estudada e fez o que fez para testar a minha capacidade de resposta. O que fazer quando algo nos faz sair dos carris? O que fazer para impedir que nos salte a tampa? Não há livro de instruções. Sei que o que fiz está longe de ser a resposta, mas foi interessante constatar que perante um desafio daqueles, estava mais viva do que nunca. Talvez tenhamos evoluído, mas manteremos sempre um instinto animal pronto a soltar-se a qualquer momento.
Bem vindos!
Conta-me histórias é um blog onde vos mostro alguns dos meus trabalhos e onde podemos falar de tudo um pouco. Apresenta certos assuntos que acho relevantes e interessantes, sempre aberta a conselhos da vossa parte no sentido de o melhorar. Obrigado pela vossa visita. Fico à espera de muitas mais.
quinta-feira, 20 de junho de 2013
quarta-feira, 19 de junho de 2013
Um povo de esquecidos
O Brasil explode e aperta o cerco aos políticos. Apelam a Portugal e ao Mundo que faça o mesmo e abra de vez os olhos para uma nova era. Nós por cá ainda nos dividimos entre os públicos e os privados, entre os pobres e os ricos, entre os desempregados e os que têm emprego. Esquece-mo-nos talvez que tudo isto se está a precipitar numa onda gigante a cada hora, a cada minuto, a cada segundo que passa. Pois a globalização tem destas coisas: todos mais perto, tudo mais rápido. Esquece-mo-nos de que os públicos não vivem sem os privados e vice-versa. Esquece-mo-nos de que se hoje temos alguma coisa, amanhã podemos estar a pedir nas ruas. Esquece-mo-nos que se hoje temos emprego, amanhã podemos ter que emigrar, ou pior, roubar para poder comer. De que nos vale culpar este ou aquele do que foi ou é Governo, de que valem os comentários de esplanada, de que valem tantos gritos de um desespero conformado que não levam a lugar nenhum? De tanto nos esquecermos uns dos outros é que estamos onde estamos. Porque se o vizinho do lado é professor e eu sou pedreiro, esta luta não é minha. Porque se o vizinho é cozinheiro e eu sou empregado de escritório, esta luta é do outro. Quando acordará o meu país, tal como o fez o Brasil e percebe que isto nada tem a ver com classes sociais, com profissões, com função publica ou privados? Isto, esta coisa que está a acontecer é global. Todos procuram a mudança. Ela é indispensável à raça humana. Penso até que o nome "greve" deveria ser alterado para "tomada de consciência". As mentalidades têm que mudar. Não somos mais partidos de direita, esquerda, centro. Somos seres humanos e cada um tem a responsabilidade de dar a mão ao vizinho do lado e mudar o que for preciso para que a raça humana consiga progredir. Não é na violência gravada pelas câmaras de televisão que mudamos o Mundo. O Mundo já banaliza essas imagens. Mas a mão de um ser humano estendida em prol do seu semelhante é algo de rara beleza. A frase batida de que violência gera violência já não chega aos corações dos Homens. Se chegasse, mudaria para amor gera amor. Se um tirano consegue instruir crianças de tenra idade para pegar em armas, leccionando a cartilha do ódio, e constrói um exército, porque não fazer o oposto? Pois é no exemplo que se mostra o futuro e é na fraternidade que se destacam os verdadeiros Homens. Há que dar o exemplo aos homens e mulheres que queremos ter no futuro.
segunda-feira, 17 de junho de 2013
Que sabes tu de mim?
Que sabes tu de mim
Tu que te dizes perfeito
Pára, dá-me um tempo
Nem tudo é do teu jeito
Como podes tu saber
O que se passa cá dentro
Por acaso viste-me nascer
Ou tens agrado pelo lamento
Já calçaste os meus sapatos
Já sentiste as minhas dores
Choraste as minhas lágrimas
Viveste os meus amores
Então porque me julgas tu
Se cada um tem seu caminho
Deixa-me ser o que sou
Nem que seja estando sozinho
Dispenso os comentários
De quem não sabe fazer diferente
Esse teu ódio é só comigo
Ou és assim para toda a gente?
Tens veneno na tua alma
Contaminas com mal-dizer
Escondes assim do mundo inteiro
O que tanto te faz sofrer
É fácil apontar o dedo
Que este é fraco, que o outro tem medo
Mudemos então de conversa
Conta-me lá o teu segredo
A tua raiva é fruto podre
De coisa mal resolvida
Se não presto, como dizes
Porque te metes na minha vida?
Bibliografia: http://icedleopoldina.blogspot.pt/2012/08/como-lidar-com-o-julgamento.html
O choro da guitarra
Tentei afogar a dor
Fingindo que não me importava
Daquilo que chamava amor
Só me resta o som da guitarra
No copo um confidente
No fado a companhia
Num cigarro um aliado
Fiz da noite mais um dia
Coração, alvo a abater
Pois foi ele que me enganou
Será que fui eu quem to deu
Ou foste tu quem mo arrancou?
Nem a vida posso tirar
Pois já a levas na tua mala
Faz-me um favor e leva o resto
Leva esta dor que me embala
Triste sina que me atormenta
Triste fim anunciado
O que tu fizeste é crime
Mas sou eu o condenado
Dizem que o tempo tudo cura
Mas foste tu que marcaste a hora
Marcaste o dia mais feliz
Marcaste a data em que foste embora
Só me resta esta garrafa
Que como tudo se vai esgotando
Resta-me a noite, resta-me o fado
E a guitarra que vai chorando
Bibliografia: http://noitedemel.blogs.sapo.pt/44198.html
Fingindo que não me importava
Daquilo que chamava amor
Só me resta o som da guitarra
No copo um confidente
No fado a companhia
Num cigarro um aliado
Fiz da noite mais um dia
Coração, alvo a abater
Pois foi ele que me enganou
Será que fui eu quem to deu
Ou foste tu quem mo arrancou?
Nem a vida posso tirar
Pois já a levas na tua mala
Faz-me um favor e leva o resto
Leva esta dor que me embala
Triste sina que me atormenta
Triste fim anunciado
O que tu fizeste é crime
Mas sou eu o condenado
Dizem que o tempo tudo cura
Mas foste tu que marcaste a hora
Marcaste o dia mais feliz
Marcaste a data em que foste embora
Só me resta esta garrafa
Que como tudo se vai esgotando
Resta-me a noite, resta-me o fado
E a guitarra que vai chorando
Bibliografia: http://noitedemel.blogs.sapo.pt/44198.html
domingo, 16 de junho de 2013
Traição: ponto assente ou ponto final?
O tema da traição sempre me deu muito que pensar. Do ponto de vista mais superficial da questão, pode dizer-se que todos nós traímos. Isso está à distancia de um pensamento, de um desejo ou simplesmente de uma característica própria ao ser humano. Não será o simples pensamento sexual que temos em relação a alguém que conhecemos, uma traição para com o nosso parceiro? Mas falemos de situações mais sérias do que um simples pensamento e entremos no mundo dos traidores. Se voltarmos atrás no tempo e olharmos para a era dos nossos avós, constatamos que era usual os homens terem amantes e casos amorosos fora do casamento. Se existia alguma mulher que tivesse o mesmo comportamento era coisa rara. (Embora também houvesse). Mas no caso da mulher isto era um tabu que quando descoberto quase lhe valia a exclusão social e, em alguns casos, a familiar.
A mulher era vista como uma propriedade, primeiro pelo pai, depois pelo marido e finalmente pelos filhos. Tinha que ter uma conduta e um comportamento exemplar de esposa extremosa, boa dona de casa e mãe de filhos. Caso contrário era mal vista por todos e principalmente por outras mulheres. Enfim, uma vergonha para a família. Um dos pretextos dos homens para resumir a mulher a uma escrava da casa era o facto de estas na maioria não trabalharem fora. O homem era o sustento da família e a mulher zelava pelo conforto e bem estar de todos...dentro de casa. A partir da altura em que a mulher passa a ter o seu próprio ordenado, a ajudar nas contas e ao mesmo tempo a manter a casa organizada, deixou de precisar de um marido e passou a procurar um companheiro. Alguém que a ajudasse a todos os níveis e que partilhasse de todas as tarefas. Isto trouxe alguns conflitos: se a mulher sai de casa para trabalhar está a par de outras coisas que não via enfiada em casa. Por outro lado está exposta a outros homens que procuram algum tipo de aventura. Durante uma geração este processo de igualdade foi difícil e tortuoso e ainda hoje existem algumas desigualdades entre os dois sexos. Basta olharmos para a diferença entre salários que atribuem às mulheres e aos homens. Toda esta luta pela igualdade de direitos, levou as mulheres a pensarem como os homens e a agirem de igual modo. Hoje em dia uma mulher trai tão ou mais facilmente que um homem. É ditado popular antigo "ele arranjou fora, porque não tinha em casa". E elas passaram a fazer o mesmo. Mas queiramos nós ou não, existem e existirão sempre diferenças entre os dois sexos.( Se assim não fosse, seriamos todos homens ou todos mulheres). As mulheres usam mais a sensibilidade e os homens usam mais a razão.
Os motivos para um homem trair são: gosta do perigo da aventura, é algo que é necessário aos machos, o certo é ter a mulher em casa e uma ou outra conquista na rua, não resistem a um rabo de saia, são desafiados por outros machos e têm que mostrar o que valem.
Os motivos de uma mulher são: vingança do parceiro, necessidade de se sentir desejada, se um homem pode, porque não posso eu?,
Isto é o que dá quando se vive num mundo de homens: aprendemos a pensar, agir e comportarmos-nos como um. Mas a sociedade evoluiu, mas nem tanto. Hoje ainda se trata um traidor como um macho viril e uma traidora como a maior prostituta. (Não querendo com isto insultar esta classe trabalhadora).
A pergunta que coloco é a seguinte: a traição é um ponto assente ou um ponto final? Isto é, uma pessoa já nasce com a característica de trair ou as circunstâncias da vida levam-na a fazê-lo? A traição dá-se porque a pessoa está exausta com a relação que mantém ou porque já é normal que traia? Podem dizer que depende de pessoa para pessoa, mas mesmo assim, o que me deixa intrigada é para quê? Qual o fundamento da traição? Para que se casa, junta ou assume um compromisso uma pessoa que depois procura outras? Não seria mais correcto não se comprometer com alguém? Podem perguntar: mas assim provavelmente cada um vivia para o seu lado e não existia lei nem regra. Mas então porque mantêm uma pessoa ao vosso lado se se sentem tão incompletos, que precisam de procurar outro parceiro? Ai, e tal...porque gosto dela(e) mas preciso de alguém que me ouça, me entenda e me faça sentir vivo. Tretas! Ou dás uma volta de 365 º na tua relação e mudas o que precisa de ser mudado e falas o que precisa de ser falado, ou precisas é de acabar com a relação gasta e bolorenta que tens, ir à tua vida e libertar quem vive contigo para que faça o mesmo. A traição, tenha ela o motivo que tiver, não passa de egoísmo. É como aquela criança que vê um brinquedo na mão do outro e corre para o tirar. Pouco tempo depois, perde o interesse e deita-o fora. Ninguém ganha com esta história. Um fica sem brinquedo e o outro tem uma satisfação instantânea que não lhe resolve problema nenhum. Porque inventem os motivos que inventarem, só comete traição quem não se sente feliz consigo mesmo. É um balão de soro que adia a resolução do problema principal. Temos que gostar de nós próprios e definir muito bem o que queremos para a nossa vida. Pois sem amor a nós próprios damos vários razões aos outros e a nós mesmos para trair, mas não evoluímos como seres humanos. Mais vale acabar uma relação porque queremos outra vida, do que acabar com a nossa vida (auto-estima, amor-próprio, valorização pessoal) porque queremos outra relação.
sábado, 15 de junho de 2013
Hino ao meu povo
Heróis do mar que fomos
Nobre povo que somos
Nação valente que luta
Por um lugar imortal
Que se levante hoje de novo
O esplendor do meu povo
Pois nas brumas da memória
Dos fracos não reza a História
Oh! Pátria ainda se sente a voz
Dos teus egrégios avós
Que te guiam pela tormenta
Rumo ao mar da vitória
Há que pegar nas armas
Seja por mar ou por terra
Há que marchar de peito aberto
Ir à luta e vencer a guerra
Pois nas veias nos corre o sangue
De um povo vencedor
E se vencemos a ditadura
Com uma revolução de cravos
Marchemos contra os canhões
Com um exercito de amor
Bibliografia: http://blogue-folio.blogspot.pt/2012_06_01_archive.html
Nobre povo que somos
Nação valente que luta
Por um lugar imortal
Que se levante hoje de novo
O esplendor do meu povo
Pois nas brumas da memória
Dos fracos não reza a História
Oh! Pátria ainda se sente a voz
Dos teus egrégios avós
Que te guiam pela tormenta
Rumo ao mar da vitória
Há que pegar nas armas
Seja por mar ou por terra
Há que marchar de peito aberto
Ir à luta e vencer a guerra
Pois nas veias nos corre o sangue
De um povo vencedor
E se vencemos a ditadura
Com uma revolução de cravos
Marchemos contra os canhões
Com um exercito de amor
Bibliografia: http://blogue-folio.blogspot.pt/2012_06_01_archive.html
sexta-feira, 14 de junho de 2013
A Máquina acordou Oeiras
Não quis deixar passar a euforia em que me encontro e perder a inspiração de vos falar um pouco da banda portuguesa considerada por muitos a revelação dos últimos tempos. Acabei de chegar do concerto dos Amor Electro que estiveram em alta no Jardim Municipal de Oeiras. À parte dos excelentes músicos e compositores que constituem a banda, a voz de Marisa Liz é uma verdadeira bomba. A comprovar esse facto, esteve um publico ao rubro que não arredou pé antes de ouvir mais uma vez o tema mais tocado da banda: A Máquina. E que grande máquina esta que nos traz temas verdadeiramente sentidos e nos mostra mais uma vez o povo que somos. Além da voz e da alma do grupo, Marisa Liz presenteou-nos com uma outra revelação. O tema Rosa Sangue faz parte do novo álbum da grande Simone de Oliveira. Das treze canções que o compõe, podem ouvir-se temas de Rui Veloso, Susana Félix, Miguel Gameiro e Tiago Pais Dias dos Amor Electro.
A mensagem que passaram a todos os que os ouviam foi bem clara: "Por mais difícil que o caminho seja, nunca desistam. Ao olhar para trás, nunca se esqueçam que em tempos já fomos heróis."
Obrigado Marisa, obrigado Amor Electro por terem a coragem de cantar na nossa língua e fazer renascer a magia do rock'n roll português.
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